Contos sobrenaturais de Anthony Olliver


25/10/2012


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Escrito por o Contador de historias às 12h04
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22/07/2012


Pacto de sangue (O contato)

 

3. Século XXI

 

   E agora aqui estou. Pleno século XXI. Tanta coisa moderna, que se eu tivesse deveras morrido, não conseguiria nem em sonho imaginar tanta façanha que a tecnologia nos proporciona hoje.

   Sei que o leitor está curioso a respeito deste período em que passei, desde a minha morte até hoje, afinal de contas em 73 anos se passam muitas coisas. É praticamente a média de vida de um mortal aqui no Brasil.

   Neste grande período, conheci pessoas que nasceram e que já partiram, alguns ainda novos e outros já fartos da vida. Dos meus amigos que tive em vida, já não resta mais nenhum.

   Regis teve uma morte triste e traumática, não só para mim, mas todos os seus outros amigos. Eu não sei como ele conseguiu cair justamente com a cabeça sobre o meio fio, se existia tantos outros lugares para ele bater com a cabeça. Porém acredito-me, que se ele tivesse batido com a cabeça em qualquer outro lugar, também não escaparia, pois a moto pilotada por ele vinha em altíssima velocidade e ele ainda vinha imprudentemente sem o capacete.

   Se o leitor me permite não gostaria de prosseguir com esta dura história, pois Regis era um dos meus melhores amigos e senti muito com a sua perda. Até cheguei a desejar a mesma sorte que tive a ele, mas logo vi que esta não era uma boa ideia. Só eu sei a tamanha angustia que sinto todos os dias por esta vida que é bem pior que a morte.

   Tenho que confessar que quando vi o corpo de Regis estendido ali no asfalto, sem vida o invejei bastante. Eu queria está ali, no lugar dele e ter dado um adeus para este mundo cruel para sempre.

   Eu não sei se devo contar-lhes a vida, ou melhor, a morte de João Marcos. Esta era uma das coisas que mais desejava a ele enquanto vivo, mas agora eu não poderia desejar algo, que para mim era o maior premio que alguém poderia alcançar, ao meu maior inimigo.

   Eu odiava João Marcos com todas as minhas forças e não entendia o porquê de tanto ódio. Antes eu o odiava por ser a pessoa que me impedia de ser o único dono daquela grande empresa deixada por meu pai. Agora o odiava por ter tirado a minha vida, mas eu não o poderia odiar tanto, pois eu ainda estava vivo, mesmo tendo morrido.

   João Marcos – este nome me dar certo nojo, estou repetindo tantas vezes para que o leitor sinta o mesmo que eu – fora encontrado morto, junto com sua amante em um quarto de sua mansão. Morrera de causas naturais, velhice (se é que se morre de velhice) ou por uso exagerado de certo comprimido que faz com que os velhos se rejuvenesçam.

   Não foi uma morte inolvidável como a de Regis. Todos da cidade de São Luís comentaram a respeito, mas logo esqueceram a morte daquele influente empresário.

   Bem, estamos no século XXI. Pleno verão do ano 2012. Estou sentado em uma poltrona muito confortável, em frente a minha televisão de led de 50 polegadas, assistindo um filme em 3D. As imagens são impressionantes. São idênticas à realidade. Sei que até um jovem ou adolescente de hoje, encanta-se vendo as maravilhas deste nosso maravilhoso mundo novo, quanto mais um velho imortal petrificado em eternos 25 anos de idades, provindo do século passado.

 

 

 

Escrito por o Contador de historias às 11h37
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10/07/2012


Pacto de sangue (O contrato)

 

2. Surpresas

 

   No dia em que morri se não me engano era um dia de sábado do ano 1939. O mundo estava em inicio de guerra, mas o Brasil pouco se envolvia e o povo do nosso país ia vivendo e morrendo como se nada estivesse acontecendo na Europa. 

   Eu ainda estava na flor da idade, com apenas 25 anos de idade e era um elegantíssimo rapaz. Minha voz rouca e meiga ajudava-me a conquistar quase todas as moças que desejava. Eu era um tremendo galinha. Meus amigos invejavam-me muito por eu ser tão pegador e as mulheres que eu conquistava iam se decepcionando, algumas comigo, outras com todos os homens e outras com a vida; algumas chegavam a se deprimir e houve o caso de uma ficante minha que por eu a conquistar e ela apaixonar-se por mim e eu não mais querê-la, suicidou-se com um tiro na cabeça, mas eu ia vivendo e sendo sempre querido.

   Mas minha vida não era só de garotas. Havia também jogatinas, bebedices e tudo que o dinheiro nos proporciona, pois afinal isto eu tinha muito. Meu pai deixara-me uma grande empresa na capital maranhense que só pertencia a mim e ao Sr. João Marcos.

   João marcos era cunhado do meu pai, casado com a única irmã que meu pai tinha, tornaram-se muito amigos, mas eu sempre odiei aquele sujeito. Ele além de arrogante era muito soberbo, se bem que eu também era arrogante e soberbo, talvez até mais que ele.

   Com a morte de meu pai, a empresa agora estava em minhas mãos e nas do meu odiado sócio. Eu teria que achar uma solução para me apossar daquela empresa, ou de maneira licita ou ilícita, mas o meu sócio encontrou esta maneira mais cedo que eu, mandando Regis vir tirar-me a vida, uma vida tão preciosa que eu possuía.

   Regis não devia ter feito isso comigo. Ele era um grande amigo, talvez um dos melhores amigos que eu tinha. É claro que eu tinha roubado duas das namoradas dele, sendo que uma já estava noiva dele e ele guardava mágoas de mim por isso até hoje, mas a minha morte não tinha sido por vingança, creio, mas por dinheiro. Não posso compreender como uma pessoa como Regis tenha se prestado a tal coisa. Ele era um dos melhores alunos de direito, sempre dedicado e que se passava muitas vezes até por moralista.

   A vida nos mostra a cada dia o quanto a maldade está mais presente no coração do homem. Eu fiquei não só decepcionado com Regis, mas chocado por ele ter se rebaixado tanto. Eu não guardo magoas dele, por ele ter me matado e sim por o motivo pelo qual ele fez isto.

   A vida é cheia de surpresas: algumas boas, outras ruins; as boas servem para nos alegrar, as ruins, para nos ensinar. Nada na vida é sem sentido. E esta surpresa que tive com Regis me ensinou bastante. Ensinou-me que não devemos confiar nem no nosso melhor amigo, pois ele pode nos trair, ensinou-me que nós não podemos confiar nem na pessoa mais amável do mundo que ela pode nos matar por motivos fúteis.

   Claro que de certa forma também trai ele, talvez o tenha traído até de uma pior maneira, pois há quem diga que a morte da alma é pior que a morte do corpo e Regis teve sua alma morta, quando conquistei o coração da pessoa que ele mais amava no mundo, para em seguida abandoná-la a ponto de ela desesperada pelo meu amor tirar sua própria vida.

   Contando esses fatos acontecidos na minha vida eu concordo com o leitor que eu merecia morrer e ter ido para o inferno. Eu sabia que se morresse era para o inferno que iria, por isso que implorei tanto para ele me livrar da morte a qualquer custo.

 

 

Escrito por o Contador de historias às 10h39
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07/07/2012


1º capítulo da saga "Pacto de Sangue (O contrato)"

 

1.o preço 

 

   Eu não sou culpado de nada. Não pedi para ser assim. Eu teria que escolher entre a morte ou me tornar um monstro e no desespero a gente escolhe tudo, menos morrer.

   Eu era um dos maiores empresários de São Luís. João Marcos era meu sócio e eu pensava ser ele o melhor sócio que alguém poderia ter, mas era engano meu. Foi João Marcos que mandou Regis me matar.

   Foi certeiro o tiro de Regis. Uma bala calibre 38 perfurou o meu peito esquerdo, transpassando meu coração e quase saindo nas minhas costas. Eu senti uma dor terrível, como se uma fogueira fosse acesa dentro de mim, aí então chamei por ele e ele apareceu vestido de branco com sua barba loira e aqueles cabelos crescidos, parecendo até o Cristo de Hollywood.

  ─ O que queres? – perguntou-me.

  ─ Tudo, menos morrer... Faço qualquer coisa que você quiser – balbuciei minhas últimas palavras.

  ─ Pois bem, vajamos aqui. Isso me agrada muito. Um humano desesperado, querendo viver. Queres ser eterno?

   Não tive mais tempo de responder. Tentei falar que sim, mas minha vista escureceu de repente e minutos depois acordei numa sala grande, sentado em um confortável sofá, pensando está no céu.

   Olhei para os lados tentando reconhecer aquele lugar, mas tive certeza que nunca estivera lá antes. Respirei fundo e olhei mais uma vez. Uma grande televisão de led na parede, quadros de pintores famosos; um de Da Vinci, outro de Picasso e outro que não pude saber quem poderia ser o pintor. A mesa era gigante e com a copa revestida de vidro. Uma cesta com frutas que não pude saber se eram naturais ou artificias estava sobre a mesa.

   Eu quase caí quando ele apareceu na minha frente, com um sorriso sarcástico estampado nos lábios. Ele era bem mais alto que eu; aproximadamente 1,90 de altura. Braços musculosos, pernas bem feitas e olhar sedutor. Era o homem que qualquer mulher sonharia ter. 

  ─ Então? – falou-me, olhando com aquele olhar provocador, que seduziria qualquer mulher.

  ─ Eu ainda estou vivo? – perguntei, pensando estar deveras no céu, ou paraíso.

  ─ Sim. Está mais vivo que qualquer outro. Vivo eternamente.

  ─ E o que eu tenho que fazer? – perguntei, pensando depois na imbecilidade daquela pergunta.

  ─ Você é um aluno exemplar meu caro. Que bom que você sabe que tem um preço a pagar. Você fará tudo que está escrito neste livro – falou, entregando-me um livro no formato de uma bíblia.

   Surpreendi-me ao ver que aquilo era realmente uma bíblia. Aquilo era realmente a coisa mais inexplicável e boa do mundo. Além de ser eterno eu iria apenas tentar obedecer à bíblia sagrada, Coisa que fiz em toda a minha vida.

   ─ Desculpe-me – falou ele, me olhando com um penoso olhar. Dizem que a vida não é fácil, e o que diríamos da vida eterna? Eu sou muito atrapalhado, lhe entreguei o livro errado.

   Ele pegou o livro que estava comigo e jogou-o sobre a mesa, com uma cara de desprezo. Depois foi a uma estante e pegou outro livro e entregou-me:

  ─ Desculpe – falou novamente, com uma cara quase de choro. 

 

 

Escrito por o Contador de historias às 19h37
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Inicio do livro Meu adorável filho

Teresina, 28 de agosto de 1980

           

   E estavam enfim casados e abençoados por Deus nas palavras do reverendo Raimundo Nonato. Carlos sempre esperara por aquele dia. Desde que conhecera Raquel, aquela moça que cantava na igreja com uma voz angelical seu coração apaixonara-se por ela.

   Começaram então o namoro. Com o consentimento dos pais de ambos, logo noivaram e marcaram o casamento que agora estava sendo realizado naquela pequena igreja batista de um determinado bairro de Teresina.

   Carlos era um respeitado comerciante na capital piauiense. Desde muito novo ajudara o pai nos negócios e com a morte deste, tomara definitivamente de conta do comércio.

   - Estão casados. O noivo pode beijar a noiva – falou o reverendo Raimundo Nonato.

   Todos os convidados começaram, um por um a cumprimentar os noivos e a felicitá-los. Carlos parecia um pouco nervoso. Raquel bem mais calma.

   Os dois recém-casados saíram então da igreja cobertos por uma chuva de arroz jogado por um pequeno grupo de jovens. Os dois com certeza seriam felizes para sempre. Carlos era um jovem que tinha a cabeça no lugar desde muito novo. Sempre organizado e religioso. Todas as garotas da igreja desejavam ter uma pessoa como ele ao seu lado. É claro que Raquel sentia-se orgulhosa por tê-lo como esposo. Mas ela também era uma jovem exemplar. Muito obediente aos pais e dedicada na igreja, além de ter uma voz linda que encantava a todos.

   Aqueles dois foram realmente feitos um para o outro. Ninguém tinha duvida disso. Um sonho realizado, tanto de Carlos quanto de Raquel.

   Carlos sai segurando a mão da sua agora esposa Raquel. Gentilmente abre a porta do carona para ela e entra também na sua caminhonete. Sorri para ela e fala:

   - Agora só falta vir o nosso filhinho para o sonho ser completo.

   - Com certeza amor – responde Raquel, sorrindo. Também espero que não demore muito.

 

Teresina, 06 de Dezembro de 1980

 

   - Amor deu positivo meu teste de gravidez!

   -Que ótimo amor – falou Carlos ao receber a esperada noticia da sua esposa.

    -Acho que vai ser um homem.

    -Eu queria muito que fosse.

   Já fazia mais de três meses que Carlos e Raquel haviam se casado. Os dois desejavam muito ter um filho e agora Deus os abençoara com um filhinho que dentro de nove meses viria ao mundo.

 

 Timon 03 de setembro de 1981

 

   Carlos estava na inauguração de uma filial da sua loja quando o celular toca. Era sua irmã Elizabeth:

-Alô – falou ele.

-Oi Carlos – falou Elizabeth em um tom meio que de desespero e alegria ao mesmo tempo. – corre para a maternidade rápido que teu filho está nascendo.

   Ele saiu correndo como louco, jogou um dos celulares nas mãos de Roberto, seu assessor e um dos amigos mais chegados. Roberto fora praticamente criado pelo pai de Carlos. Havia perdido os pais ainda quando criança e desde então ficara sobre os cuidados de Antônio, pai de Carlos. Com a morte de Antônio, tornou-se então o braço direito do seu irmão adotivo.

   Carlos pega a avenida que dar para a maternidade. O transito estava um pouco lento. Na época era bem melhor que nos dias de hoje, mas já era uma situação caótica na capital piauiense.

   Em fim chega à maternidade. Estaciona rapidamente e entra ofegante porta adentro. Seu filho já havia nascido.

   Era lindo aquele anjinho que descera do céu para abençoar aquele jovem casal. Raquel tinha apenas 20 anos e Carlos 22. Apesar da pouca idade ele já era um bem sucedido comerciante com duas lojas em Teresina e agora mais uma em Timon, a cidade que como dizia Elizabeth, era a continuação da capital piauiense.

   Naquela época Timon estava um pouco tomada pela violência; os criminosos de Teresina vinham abrigar-se naquele “paraíso” sem segurança, e ali praticavam toda sorte de delitos, desde simples furtos até homicídio.

   Apesar do clima não muito calmo ali da cidade de Timon, Carlos decidira investir ali, pois sabia ser um lugar estratégico para o comercio, por ser uma cidade que além de próxima à capital piauiense, era zona de trafego para cidades importantes como Caxias e outras.

   Ele só temia com o aumento da criminalidade tanto em Teresina, quanto Timon pela segurança do seu filho. E desde então começou a programar um belo futuro para aquele recém-nascido, como faz todo pai que pensa que o dinheiro é tudo na vida de uma pessoa. Carlos Jr – esse era o nome do bebê – estudaria numa ótima escola, se formaria ou em medicina ou em direito e aprenderia pelo menos inglês e francês, já que Carlos não gostava muito de espanhol, pois dizia ser uma língua de pessoas sem classe.

Teresina 03 de outubro de 1981

 

   - Dorme neném que a cuca vem aí – Raquel cantava alegremente olhando aquele rostinho meigo do filho. Era tão inocente, puro e sem nenhuma maldade aquele pequenino ser.

   Seria tão bom se a gente crescesse e continuasse na mesma pureza de quando criança, mas infelizmente a gente cresce e vai aprendendo muitas coisas e a maioria dessas coisas são maldades.

  - Oi amor – falou Carlos, que acabava de chegar do trabalho. Como está o nosso herói? Comprei um ursinho de presente pra ele.

  - Ah que fofo amor, hoje nosso Carlinhos está completando um mezinho não é?

  - É sim amor. Daqui uns dias ele já está grandão e vai ajudar o pai.

   Depois de dar um beijo no rosto do bebê e outro na testa de Raquel, Carlos vai ao banheiro tomar um refrescante banho, depois de um dia entediante ali no comércio

Escrito por o Contador de historias às 19h34
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06/07/2012


Covardia

   Raul acordou assustado. Olhou para o lado e não viu sua esposa. Chegou a pensar que os gritos desesperados dela fosse apenas um pesadelo, mas agora notara que não era. Vai à cozinha e pega um facão. Não usava arma de fogo, por ser perigoso.

   Os dois haviam casados a pouco mais de um ano. Viviam ali naquela casinha de palha na praia. Era um verdadeiro paraíso. Um paraíso só deles dois.

   Agora Marta foi embora, levada por sabe se lá o que. Raul teme ser algum bandido que chegara ali e levou aquela linda mulher para fazer alguma maldade. Mas por que meu Deus? – pensa ele.

   Ele quase caiu de horror quando viu aquela cobra gigante com metade do corpo da sua esposa para fora da boca e a outra metade para dentro. Aquilo era realmente triste e assustador. O sangue saia pela boca da enorme serpente, enquanto ela devorava aquela mulher que era o amor da vida de Raul.

   Raul parte com tudo para cima da cobra com a faca na mão, mas nota que há outra cobra enorme pronta a ataca-lo. E agora o que faria? Lutaria até vingar a morte da sua esposa, arriscando sua própria vida ou correria para livrar sua pele?

   Atira se na água. Seu instinto humano de covardia falou mais alto. Tenta fugir e esquecer todos os felizes momentos que vivera ao lado de sua adorável esposa. Sua vida era muito preciosa. Sabia que suas chances eram pequenas lutando com aqueles dois monstros.

   A cobra que estava devorando Marta olha para a outra, que se joga na água até alcançar Raul. Ele tem uma morte bem mais dolorosa e lenta que a da sua esposa. A cobra gigante começa arrancando com sua enorme boca seus dedos, de um por um; depois as orelhas e o nariz e ele morre lentamente pagando o preço da covardia.

Escrito por anthonyolliver às 10h42
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05/07/2012


A próxima vítima

   Eduardo conheceu Lúcia em um belo dia de sol, quando passeava com alguns amigos na praça da bandeira. Olhou aquela bela morena olhando para ele e não resistiu sem conversar com ela. Ele era afamado pela sua lábia para conquistar garotas. Chegou onde Lúcia estava e conversa vai, conversa vem e minutos depois os dois já estavam se beijando.

  - Você é a única mulher que amo, Lúcia – falou Eduardo ao ser questionado por ela, por causa das suas galinhagens.

  - Será que devo acreditar? – falou ela sorrindo, depois olhou sério e continuou – mas não acho boa ideia a gente ter um relacionamento sério. A gente mal se conheceu. É melhor só ficarmos, aí se der tudo certo, a gente pensa em algo mais sério, está bem?

  - Sim. Está bem – falou ele, decepcionado. Já que você não me leva a sério... Fazer o que né?

  - Não é que não te levo a sério. Você é o maior gatinho e muito romântico, mas é muito galinha. Já sei de sua fama por aí, Eduardo Oliveira.

   Ele baixou a cabeça, desiludido, com uma cara de choro.

  - Está bem – falou ele.

   Os dois recém ficantes se despediram, depois de marcar o próximo encontro para a pizzaria ali perto da praça e Eduardo se dirigiu para onde Leo e Fábio o esperava.

  - Essa aí foi fácil – falou ele, ao aproximar-se dos dois amigos.

  - Tu és muito cara de pau, Edu – falou Leo. Podia pelo menos deixar esta pra nós.

  - Eu não sou cara de pau, meu chapa – falou ele, com um sorriso maroto. Ela que é muito bobinha e não tenho culpa né?

   Os dias se passaram e Eduardo ia namorar todas as noites Lúcia na praça. Dias depois foi apresentado aos pais dela. Não demorou muito e foi convidado para o primeiro almoço, depois as visitas passaram a ser frequentes.

  - Cara eu acho que tu estás se amarrando na moreninha – falou Fábio, no jogo de sinuca, para Eduardo.

  - Não. Acho que estou indo longe de mais. Tomara que ela não me veja com nenhuma outra. Pelo menos antes de a gente...

  - Cara você só vai usar a garota, depois jogar fora? – falou Leo.

  - Sim, mas tá difícil. Ela ainda é virgem.

   Os três amigos ficam rindo das “vantagens” contadas por Eduardo.

   - Se você quiser pode ficar com ela depois, Leo – falou Eduardo rindo.

  - Não. Obrigado. Não quero resto de ninguém.

   Os dias se passaram até que aconteceu. Depois de muita insistência de Eduardo, falando e chorando para Lúcia que ela não o amava, ela cedeu e os dois fizeram amor. Foi péssimo para ela, pois fez sem vontade e mecânico para ele que já estava acostumado a fazer aquilo apenas por prazer.

   Ela saiu chorando, correndo para casa. Trancou-se no quarto e ele foi embora já pensando em todas as cenas “engraçadas” que contaria para seus amigos.

   Lúcia descobriu algumas semanas depois que estava gravida. Procurou Eduardo, mas ele enfurecido falou que não era dele e que ela podia ir procurar o pai daquele bebê idiota que ele não queria mais saber dela.

   No dia seguinte ela foi encontrada morta na cama. Um frasco de veneno sobre a cama e um bilhete escrito “Eduardo eu te amo”.

   Os pais dela se conformaram ao saber por Eduardo que ela o tinha traído e estava gravida de outro, mas como o pai da criança não a quisera ela correu desesperada pedir para Edu assumir o filho. Ele falou que não dava, mas se soubesse que ela iria se suicidar não teria ter abandonando-a.

   Ele chorava desesperadamente e disfarçadamente no velório de Lucia, sendo consolado pelos inocentes pais dela. Ela se foi e ele continuará vivo a procura da próxima vítima.  

Escrito por anthonyolliver às 17h54
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30/06/2012


o zumbi

   Márcia olha e não ver nada. Um barulho vindo de baixo da cama faz com que ela trama se toda como se estivesse com muito frio. Pensa em todos os monstros que podem existir debaixo de uma cama em uma noite escura.

   Olha pela janela e ver a lua que acabava de ser coberta por nuvens escuras. Um monstro de olhos esbugalhados voa e vem direto para a janela de onde ela observa, mas recupera-se do susto ao notar que era apenas uma coruja, que encandeada pela luz das lâmpadas chocara-se com a vidraça da janela.

   Ela vai para a cama assustada com aquele animal maléfico. Existem certos animais que devem ter sido criados pelo diabo – pensa. Um vulto escuro aparece de repente sobre a parede. Uma sombra enorme de um monstro que com certeza saíra da cama para devorá-la, como eles adoram fazer com crianças de 10 anos de idade.

   Seu gato Tico estava brincando no chão e a luz fraca do abajur refletia sua enorme sombra na parede. Márcia suspira aliviada. Jura nunca mais assistir filme de terror com seu primo Alexandre.

   Não consegue dormir; quando vai fechando os olhos, aparece um zumbi querendo leva-la para o além onde irá devorá-la viva juntamente com sua família zumbi.  Ela ver o zumbizinho menor arrancando seus olhos e comendo enquanto gargalha. Depois aparece seu pai com um bastão de beisebol na mão, mas o zumbi pai arranca o bastão das mãos dele e começa a arrancar seu cérebro e a comê-lo, enquanto ele ainda grita chamando por Márcia.

   Ela acorda suada, leva um susto tão grande que quase cai da cama. Pega seu gato pelo pescoço e o mata enforcado, pensando ser o zumbi que comia seus olhos.

   Márcia não consegue mais dormir. Começa a chorar ao ver Tico morto e sabe que ela mesma o assassinou. Aqueles filmes estavam fazendo com que ela ficasse doida. A partir de agora jura assistir apenas desenhos do Bob esponja e a turma da Mônica.

   Uma música triste a acorda cedo, ainda quase de madrugada. Vai até o quarto dos seus pais e os encontra mortos. Sangue derramado sobre a colcha da cama e um bastão de beisebol sujo de sangue jogado ao chão. Márcia começa a chorar olhando para sua roupa e mãos sujas do sangue dos seus próprios pais.

   No meio das suas alucinações, dormindo ou acordada viera até o quarto dos pais e os matara, pensando serem eles zumbis, mas na verdade – nota ela, o único zumbi ali era ela.

Escrito por anthonyolliver às 16h30
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27/06/2012


A Vingança

   Ana chora desesperadamente, aquilo não poderia ter acontecido com ela. Por que a vida tinha que ser tão dura assim? Ela tinha apenas 16 anos, mas sofrera mais que qualquer mulher adulta tenha sofrido.

   Rony, estudante de direito, 18 anos de idade. Filho exemplar, muito dedicado nos estudos. Nunca desgostava os pais – assim falou sua mãe. Rony era um garoto muito sonhador. Seu maior sonho era comprar um navio de luxo e levar todos os seus amigos, que eram muitos em um cruzeiro. Este era realmente um sonho ambicioso – comentou seu pai, mas para um garoto sonhador, como Rony não era um impossível.

   Três tiros foram o bastante para matar Rony. Ele foi encontrado no banheiro da faculdade, sangrando muito pela cabeça, um dos locais atingidos. Os outros dois foi um no peito esquerdo e outro na coxa direita.

   A policia foi chamada rapidamente. Em poucos segundos já estavam no local. Um dos soldados olha chocado para seu companheiro e fala, depois de ter recebido um telefonema:

  - Mais outro crime.

    O outro crime era a morte de Dalton, um garoto de 17 anos, estudante de medicina, filho de um famoso advogado do Rio de Janeiro. A família não quis se pronunciar a respeito, mas os amigos de Dalton falavam que ele era um bom amigo. Não era chegado à balada, nem a bebedeiras como a maioria dos outros jovens da sua idade.

   Em intervalos de cinco minutos os crimes iam acontecendo. Todos mortos com tiros de uma pistola 9 mm. O próximo foi Thiago, estudante de odontologia, 20 anos de idade. Thiago era muito calmo e até tímido, tinha poucos amigos. Seus pais comentaram que ele não reclamava de nada, nunca dera preocupação nenhuma a eles. Sempre saía de casa, mas chegava antes dos pais dormirem.

   O crime chocou a todos. Quando o bandido fosse encontrado, se a policia não tivesse muito cuidado, com certeza seria linchado pelos moradores, pois a revolta era grande.

   O delegado estava sentado, fazendo algumas anotações. Talvez tentando descobrir quem seria o psicopata que andava matando os jovens da classe média do Rio, quando Ana entrou pela porta. Roupa suja de sangue e rasgada, uma expressão de terror no rosto e uma pistola 9 mm na mão.

   Há um ano quando ela vinha da sua festa de aniversario de 15 anos, um dos momentos mais especiais na vida de uma mulher, é abordada por três jovens que a estupram e depois de satisfazerem seus desejos sórdidos a jogam em uma poça de lama.

   Talvez Rony e seus dois amigos Dalton e Thiago achavam que aquela menina que estupraram tivesse morrido, depois de ter sido jogada por eles ali na lama, mas eles descobriram a verdade nas suas ultimas horas de vida.

   Ninguém nunca soube a realidade dos fatos. Ana não tinha como provar, pois suas únicas testemunhas eram os três garotos matados por ela.

 

Escrito por anthonyolliver às 14h09
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Quem me inspira

   Algumas pessoas surpreenderam-se com este meu novo estilo de escrita. Principalmente pelos meus contos macabros. Eu adoro escrever romances e contos mais leves também, mas esta mudança deve se principalmente a duas criaturas que me inspiraram bastante.

   Paulo Coelho e Michael Jackson foram minhas grandes inspirações, todos os dias estão aqui em casa com sua roupagem totalmente preta, trazendo um pouco do ar sinistro que inspiram meus contos.

   Hoje mesmo Paulo Coelho estava em cima da mesa e quando me viu aparecer na cozinha, saltou de cima da mesa, de uma maneira sobrenatural. Às vezes chego a pensar que ele não é realmente um animal, mas um vampiro disfarçado de gato.

   Michael Jackson ainda é mais sinistro. Ele foi atropelado por uma moto e morto de manhã, mas a noite veio aqui como se nada tivesse acontecido. A gente ficou brincando, falando que ele ainda tem seis vidas, pois uma ele já perdeu.

Escrito por anthonyolliver às 12h01
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Maldito ônibus

 

   Deitado na cama, Leonardo lembrava-se da sua namorada que morrera há dois anos. Linda e com um sorriso sensual, saiu e falou a ele que voltaria mais tarde para irem ao cinema. Leonardo ficou vendo uma lista de cinemas e os filmes que estavam em lançamento naquela época. Eram muitos os que ele gostava, mas as mulheres são sempre muito exigentes – pensou. Tenho que escolher um filme que Joana goste, não quero entediá-la com um filme que ela ache chato.

   Ela saiu na sua moto, acelerando muito. Como ela adorava aventuras! Todos os finais de semana ia com a galera dela, fazer trilha no interior. Ele ficava morrendo de ciúmes, pois sabia como são os motoqueiros, a maioria galinhas. Mas confiava tanto em Joana e sabia que ela o amava e nunca o trocaria por uma aventurazinha qualquer com um daqueles motoqueiros.

   Leonardo vai à geladeira, toma uma coca que parece não ter sabor nenhum, tudo na vida dele tornara-se amargo depois da morte da sua amada. Ela saíra prometendo vir logo, mas aquele maldito ônibus levou a vida dela para sempre.

   Ela tenta ultrapassar um caminhão, sem notar a aproximação do ônibus que vem em sentido contrario. O ônibus pega a moto em cheio e ela cai desmaiada, porém não tinha morrido. Ela levanta-se e se senta nos asfalto. Não sente nenhuma dor, agradece por estar inteira, apesar de ter perdido quase que totalmente a moto que tanto ama.

   O susto é grande, ela gira a cabeça de repente e ver que não consegue pular para fora da pista. Outro ônibus se aproximava rapidamente do corpo de Joana sentado ali em meio ao asfalto. A única coisa que ela faz é gritar. O seu ultimo grito. Um grito de terror, de aflição, de desespero e de arrependimento por ter ficado aqueles breves segundos ali no asfalto pensando enquanto deveria ter se levantado e saído do meio do trânsito.

   Ninguém consegue escapar da morte duas vezes. Leonardo acabava de chegar ao local. Ainda ouviu o grito da sua amada que teria seu crânio em frações de segundos depois, estraçalhado pelos pneus daquele maldito ônibus.

   O grito angustiante de Joana ainda hoje ecoa na cabeça de Leonardo. Ele não consegue olhar para um ônibus quando vai passando pelas ruas sem chorar.

 

Escrito por anthonyolliver às 07h55
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26/06/2012


Os perseguidores

 

 Margareth entrou no carro e deu a partida. Dois homens de jaqueta preta a perseguia. Ela estava fazendo compras em uma loja de bolsas no centro da cidade de São Paulo, quando notou aqueles dois homens mal-encarados. Ela ainda chegou a ignorá-lo, pensando serem apenas alguns compradores e a fitavam admirando-a. Afinal Margareth era uma bela mulher.

   Com apenas 22 anos de idade, terminara jornalismo na USP e agora estava à disposição do mercado de trabalho. Seu sonho era trabalhar em um grande jornal, de preferencia como colunista. Adorava escrever. Escrevia poesias e crônicas nas horas vagas, materiais que poderiam um dia ser útil a ela e, além disso, era uma forma de se aprimorar cada vez mais na escrita.

   Ela fecha rapidamente a porta do carro, mas observa pelo retrovisor que eles também entram em outro carro, estacionado a poucos metros do dela. O que iria acontecer? Será que ela seria mais uma daquelas moças que estão estampadas nas matérias policiais dos jornais de São Paulo?

   Acelera o carro como pode, mas o carro dos seus perseguidores aproxima-se cada vez mais do dela. Com certeza seu Fiat Uno modelo 96 não resistiria àquela perseguição. O carro dos perseguidores é uma Hilux que tinha todas as possibilidades de ultrapassar ou trancar aquele carro a qualquer hora.

   Era exatamente isto que Margareth nota que o motorista da Hilux está tentando fazer. Ela acelera cada vez mais e de repente sente um impacto muito forte. Na hora que a Hilux ia fazendo a ultrapassagem, choca-se com um caminhão que vinha em sentido contrário.

   Margareth nota que seu carro estava totalmente ileso, sem nenhum arranhão. Ela olha horrorizados os corpos esfacelados dos seus dois perseguidores. Sente um alivio muito grande, mas ao mesmo tempo uma compaixão muito grande daqueles dois jovens que partiram tão jovens.

  Um deles ainda se mexia e olhava para ela com um olhar de ódio, como que a culpando por aquilo que tinha acontecido. E se ele escapasse – pensa Margareth. Será que ele não iria matá-la?

   A noite não consegue dormir. Aquelas imagens dos corpos despedaçados não saiam da sua cabeça. Olha para a janela e ver um vulto de homem que perde a cabeça e começa a gritar. Quando vai dormindo pesadelos terríveis vêm atormentá-la. Acorda no dia seguinte sem ter certeza ainda se aquilo fora apenas um sonho ou tinha sido realidade.

 

Escrito por anthonyolliver às 19h44
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O boneco de porcelana

 

   Era meia noite. O galo cantava pela terceira vez. Nina estava sem conseguir dormir. Resolve ir à cozinha e fazer um suco de maracujá para ver se o sono vem.

   Desce lentamente a escada do velho sobrado. Um arrepio atravessa todo seu corpo. Frio? Claro que não. Era uma quente noite de abril. O sobrado com suas paredes grossas e revestidas de pedra de castelo, tornava o clima mais abafado ainda.

   Dizem que quando acontece isto com a gente – pensa ela, é algum espirito que está ao nosso lado.

   Nina nunca fora medrosa. Nunca sentia medo de nada e até mangava dos colegas que tinham medo de fantasmas. Novamente aquele arrepio. Os pés de nina tremem-se de tanto medo. Ela olha para um lado e para outro, mas não ver nada. Pensa em gritar, mas seria ridículo gritar ali, àquela hora da noite. Iria apenas acordar seus pais e seu irmão que iriam gargalhar daquela terrível besteira dela.

   Ela nota que ainda está segurando o corrimão da escada e que não desceu nenhum degrau. O silencio era muito grande, interrompido de vez em quando apenas pelo cantar do galo ou pelo barulho dos grilos.

   De repente alguém a toca por trás. Com certeza seria seu irmão Bebeto. Olha sorrindo e ver uma cara desfigurada, olhos esbugalhados e sangrando, os dentes crescidos e a boca também suja de sangue, a roupa toda esfarrapada. Pensa em gritar, correr ou dar um soco naquela criatura, mas não consegue nem se mover, nem falar nada. Fica paralisada, como em um pesadelo. Queria ela que aquilo fosse apenas um pesadelo, mas não é. Jura nunca mais assistir filmes de terror, nem ler livros de vampiros e zumbis.

   Enfim ela consegue se mover. Desvia-se rapidamente do monstro e corre para o quarto, fecha a porta e joga-se na cama, cobrindo-se com dois lençóis, achando que os lençóis a livrariam de todos os monstros que poderiam existir.

   Sente algo frio tocando a sua barriga. Seu coração acelera-se e começa a tremer se toda. Grita aterrorizada, mas tem coragem de olhar e ver apenas um boneco de porcelana que seu irmão Bebeto deixara em cima da cama dela.

   Será que aquele monstro não era apenas Bebeto que se vestiu de zumbi para lhe amedrontar? A curiosidade era grande, mas o medo era maior.

   No dia seguinte, durante o café da manhã, Bebeto a olhava com cara de quem aprontou alguma coisa. Ela olhou para ele com a cara ruim e falou – nunca mais faça aquilo viu seu pivete? Ele começou a rir, mas por ver a cara ameaçadora de sua mãe prometeu que não faria mais.

   Quando anoiteceu, Nina estava sem sono novamente. Agora não existia mais medo, pois sabia que aquele monstro era apenas Bebeto que se fantasiara. Desceu rapidamente a escada e quando ia abrindo a geladeira, alguém a tocou. Ela olhou e viu Bebeto novamente disfarçado de monstro e falou – isto não tem graça Bebeto.

   Ele a agarrou e saiu levando-a para a floresta escura. Nina só pode perceber que ele não era Bebeto quando o monstro começou a devorá-la.

   No dia seguinte ao notar a falta de Nina, Bebeto jura inutilmente que se ela voltar nunca mais deixaria seu boneco de porcelana na cama dela, para assustá-la. 

 

Escrito por anthonyolliver às 08h33
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24/06/2012


Soneto do Desejo

Teus olhos buscam os meus,
Tua boca sorridente!
Me deixará certamente
achando que estou no céu!

O teu corpo bronzeado,
Feito de muita doçura
Me faz lembrar as loucuras,
Que eu fiz ao teu lado!

Dentes brancos, boca linda,
Sorriso de primavera,
Me faz passear entre as flores,

E viver os teus amores.
Mesmo sendo uma quimera,
Quero reviver ainda!

Escrito por anthonyolliver às 17h32
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Relatos de uma jovem que aprendeu muito, de maneira errada.

 

   Eu queria apenas fazer algo de útil na minha vida. Percebi que todas as coisas que fiz até hoje não me levaram a lugar nenhum, melhor dizendo, levaram-me a ser esta pessoa triste e deprimida que sou.

   As brigas constantes dos meus pais fizeram com que eu ficasse traumatizado para sempre e odiasse todos os homens do mundo e sentisse ódio também pelo casamento. Como poderia algo que as pessoas dizem ser uma união de amor entre duas pessoas tornar-se algo tão doloroso assim?

   Entrei em um curso aos 15 anos de idade, mas acabei desistindo por causa dos assédios de meus companheiros. Toda vez que olho para um rapaz e até o acho bonito, simpático ele vai pouco a pouco se transformando em um monstro que bate em mulheres indefesas assim como fazia meu pai com minha mãe.

   Mas eu agora estou decidida. A vida ainda não está totalmente perdida para mim. Irei correr atrás dos meus sonhos e tentar realiza-los, se não conseguir não me frustrarei, pois sei que a vida é um jogo que só consegue vencer os mais fortes.  Nem sempre quem vence é que tem razão, mas quem tem poder.

   A vida é injusta, mas tentarei melhorar a minha e fazê-la mais justa. Meu maior sonho não é casar e ter filhos, como sonha a maioria das mulheres. A vida cruel e traumática que tive me transformou em uma pessoa insensível. Não sei se conseguirei mudar meu jeito de ser, mas não irei tentar de uma maneira errada, pois já aprendi muitas coisas da maneira errada. Sendo forçada a aprender e não foi bom. Esse aprendizado não melhorou a minha vida, mas só me fez essa pessoa angustiada que sou.

   A partir de agora estou decidida a que rumo tomará a minha vida. Não irei fazer mais nada por que alguém ou o sistema me obriga a fazer. Casarei só quando vir que for necessário farei uma faculdade quando eu tiver certeza que é isto que quero para minha vida. 

 

Escrito por anthonyolliver às 13h13
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