Contos sobrenaturais de Anthony Olliver


07/07/2012


1º capítulo da saga "Pacto de Sangue (O contrato)"

 

1.o preço 

 

   Eu não sou culpado de nada. Não pedi para ser assim. Eu teria que escolher entre a morte ou me tornar um monstro e no desespero a gente escolhe tudo, menos morrer.

   Eu era um dos maiores empresários de São Luís. João Marcos era meu sócio e eu pensava ser ele o melhor sócio que alguém poderia ter, mas era engano meu. Foi João Marcos que mandou Regis me matar.

   Foi certeiro o tiro de Regis. Uma bala calibre 38 perfurou o meu peito esquerdo, transpassando meu coração e quase saindo nas minhas costas. Eu senti uma dor terrível, como se uma fogueira fosse acesa dentro de mim, aí então chamei por ele e ele apareceu vestido de branco com sua barba loira e aqueles cabelos crescidos, parecendo até o Cristo de Hollywood.

  ─ O que queres? – perguntou-me.

  ─ Tudo, menos morrer... Faço qualquer coisa que você quiser – balbuciei minhas últimas palavras.

  ─ Pois bem, vajamos aqui. Isso me agrada muito. Um humano desesperado, querendo viver. Queres ser eterno?

   Não tive mais tempo de responder. Tentei falar que sim, mas minha vista escureceu de repente e minutos depois acordei numa sala grande, sentado em um confortável sofá, pensando está no céu.

   Olhei para os lados tentando reconhecer aquele lugar, mas tive certeza que nunca estivera lá antes. Respirei fundo e olhei mais uma vez. Uma grande televisão de led na parede, quadros de pintores famosos; um de Da Vinci, outro de Picasso e outro que não pude saber quem poderia ser o pintor. A mesa era gigante e com a copa revestida de vidro. Uma cesta com frutas que não pude saber se eram naturais ou artificias estava sobre a mesa.

   Eu quase caí quando ele apareceu na minha frente, com um sorriso sarcástico estampado nos lábios. Ele era bem mais alto que eu; aproximadamente 1,90 de altura. Braços musculosos, pernas bem feitas e olhar sedutor. Era o homem que qualquer mulher sonharia ter. 

  ─ Então? – falou-me, olhando com aquele olhar provocador, que seduziria qualquer mulher.

  ─ Eu ainda estou vivo? – perguntei, pensando estar deveras no céu, ou paraíso.

  ─ Sim. Está mais vivo que qualquer outro. Vivo eternamente.

  ─ E o que eu tenho que fazer? – perguntei, pensando depois na imbecilidade daquela pergunta.

  ─ Você é um aluno exemplar meu caro. Que bom que você sabe que tem um preço a pagar. Você fará tudo que está escrito neste livro – falou, entregando-me um livro no formato de uma bíblia.

   Surpreendi-me ao ver que aquilo era realmente uma bíblia. Aquilo era realmente a coisa mais inexplicável e boa do mundo. Além de ser eterno eu iria apenas tentar obedecer à bíblia sagrada, Coisa que fiz em toda a minha vida.

   ─ Desculpe-me – falou ele, me olhando com um penoso olhar. Dizem que a vida não é fácil, e o que diríamos da vida eterna? Eu sou muito atrapalhado, lhe entreguei o livro errado.

   Ele pegou o livro que estava comigo e jogou-o sobre a mesa, com uma cara de desprezo. Depois foi a uma estante e pegou outro livro e entregou-me:

  ─ Desculpe – falou novamente, com uma cara quase de choro. 

 

 

Escrito por o Contador de historias às 19h37
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Inicio do livro Meu adorável filho

Teresina, 28 de agosto de 1980

           

   E estavam enfim casados e abençoados por Deus nas palavras do reverendo Raimundo Nonato. Carlos sempre esperara por aquele dia. Desde que conhecera Raquel, aquela moça que cantava na igreja com uma voz angelical seu coração apaixonara-se por ela.

   Começaram então o namoro. Com o consentimento dos pais de ambos, logo noivaram e marcaram o casamento que agora estava sendo realizado naquela pequena igreja batista de um determinado bairro de Teresina.

   Carlos era um respeitado comerciante na capital piauiense. Desde muito novo ajudara o pai nos negócios e com a morte deste, tomara definitivamente de conta do comércio.

   - Estão casados. O noivo pode beijar a noiva – falou o reverendo Raimundo Nonato.

   Todos os convidados começaram, um por um a cumprimentar os noivos e a felicitá-los. Carlos parecia um pouco nervoso. Raquel bem mais calma.

   Os dois recém-casados saíram então da igreja cobertos por uma chuva de arroz jogado por um pequeno grupo de jovens. Os dois com certeza seriam felizes para sempre. Carlos era um jovem que tinha a cabeça no lugar desde muito novo. Sempre organizado e religioso. Todas as garotas da igreja desejavam ter uma pessoa como ele ao seu lado. É claro que Raquel sentia-se orgulhosa por tê-lo como esposo. Mas ela também era uma jovem exemplar. Muito obediente aos pais e dedicada na igreja, além de ter uma voz linda que encantava a todos.

   Aqueles dois foram realmente feitos um para o outro. Ninguém tinha duvida disso. Um sonho realizado, tanto de Carlos quanto de Raquel.

   Carlos sai segurando a mão da sua agora esposa Raquel. Gentilmente abre a porta do carona para ela e entra também na sua caminhonete. Sorri para ela e fala:

   - Agora só falta vir o nosso filhinho para o sonho ser completo.

   - Com certeza amor – responde Raquel, sorrindo. Também espero que não demore muito.

 

Teresina, 06 de Dezembro de 1980

 

   - Amor deu positivo meu teste de gravidez!

   -Que ótimo amor – falou Carlos ao receber a esperada noticia da sua esposa.

    -Acho que vai ser um homem.

    -Eu queria muito que fosse.

   Já fazia mais de três meses que Carlos e Raquel haviam se casado. Os dois desejavam muito ter um filho e agora Deus os abençoara com um filhinho que dentro de nove meses viria ao mundo.

 

 Timon 03 de setembro de 1981

 

   Carlos estava na inauguração de uma filial da sua loja quando o celular toca. Era sua irmã Elizabeth:

-Alô – falou ele.

-Oi Carlos – falou Elizabeth em um tom meio que de desespero e alegria ao mesmo tempo. – corre para a maternidade rápido que teu filho está nascendo.

   Ele saiu correndo como louco, jogou um dos celulares nas mãos de Roberto, seu assessor e um dos amigos mais chegados. Roberto fora praticamente criado pelo pai de Carlos. Havia perdido os pais ainda quando criança e desde então ficara sobre os cuidados de Antônio, pai de Carlos. Com a morte de Antônio, tornou-se então o braço direito do seu irmão adotivo.

   Carlos pega a avenida que dar para a maternidade. O transito estava um pouco lento. Na época era bem melhor que nos dias de hoje, mas já era uma situação caótica na capital piauiense.

   Em fim chega à maternidade. Estaciona rapidamente e entra ofegante porta adentro. Seu filho já havia nascido.

   Era lindo aquele anjinho que descera do céu para abençoar aquele jovem casal. Raquel tinha apenas 20 anos e Carlos 22. Apesar da pouca idade ele já era um bem sucedido comerciante com duas lojas em Teresina e agora mais uma em Timon, a cidade que como dizia Elizabeth, era a continuação da capital piauiense.

   Naquela época Timon estava um pouco tomada pela violência; os criminosos de Teresina vinham abrigar-se naquele “paraíso” sem segurança, e ali praticavam toda sorte de delitos, desde simples furtos até homicídio.

   Apesar do clima não muito calmo ali da cidade de Timon, Carlos decidira investir ali, pois sabia ser um lugar estratégico para o comercio, por ser uma cidade que além de próxima à capital piauiense, era zona de trafego para cidades importantes como Caxias e outras.

   Ele só temia com o aumento da criminalidade tanto em Teresina, quanto Timon pela segurança do seu filho. E desde então começou a programar um belo futuro para aquele recém-nascido, como faz todo pai que pensa que o dinheiro é tudo na vida de uma pessoa. Carlos Jr – esse era o nome do bebê – estudaria numa ótima escola, se formaria ou em medicina ou em direito e aprenderia pelo menos inglês e francês, já que Carlos não gostava muito de espanhol, pois dizia ser uma língua de pessoas sem classe.

Teresina 03 de outubro de 1981

 

   - Dorme neném que a cuca vem aí – Raquel cantava alegremente olhando aquele rostinho meigo do filho. Era tão inocente, puro e sem nenhuma maldade aquele pequenino ser.

   Seria tão bom se a gente crescesse e continuasse na mesma pureza de quando criança, mas infelizmente a gente cresce e vai aprendendo muitas coisas e a maioria dessas coisas são maldades.

  - Oi amor – falou Carlos, que acabava de chegar do trabalho. Como está o nosso herói? Comprei um ursinho de presente pra ele.

  - Ah que fofo amor, hoje nosso Carlinhos está completando um mezinho não é?

  - É sim amor. Daqui uns dias ele já está grandão e vai ajudar o pai.

   Depois de dar um beijo no rosto do bebê e outro na testa de Raquel, Carlos vai ao banheiro tomar um refrescante banho, depois de um dia entediante ali no comércio

Escrito por o Contador de historias às 19h34
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06/07/2012


Covardia

   Raul acordou assustado. Olhou para o lado e não viu sua esposa. Chegou a pensar que os gritos desesperados dela fosse apenas um pesadelo, mas agora notara que não era. Vai à cozinha e pega um facão. Não usava arma de fogo, por ser perigoso.

   Os dois haviam casados a pouco mais de um ano. Viviam ali naquela casinha de palha na praia. Era um verdadeiro paraíso. Um paraíso só deles dois.

   Agora Marta foi embora, levada por sabe se lá o que. Raul teme ser algum bandido que chegara ali e levou aquela linda mulher para fazer alguma maldade. Mas por que meu Deus? – pensa ele.

   Ele quase caiu de horror quando viu aquela cobra gigante com metade do corpo da sua esposa para fora da boca e a outra metade para dentro. Aquilo era realmente triste e assustador. O sangue saia pela boca da enorme serpente, enquanto ela devorava aquela mulher que era o amor da vida de Raul.

   Raul parte com tudo para cima da cobra com a faca na mão, mas nota que há outra cobra enorme pronta a ataca-lo. E agora o que faria? Lutaria até vingar a morte da sua esposa, arriscando sua própria vida ou correria para livrar sua pele?

   Atira se na água. Seu instinto humano de covardia falou mais alto. Tenta fugir e esquecer todos os felizes momentos que vivera ao lado de sua adorável esposa. Sua vida era muito preciosa. Sabia que suas chances eram pequenas lutando com aqueles dois monstros.

   A cobra que estava devorando Marta olha para a outra, que se joga na água até alcançar Raul. Ele tem uma morte bem mais dolorosa e lenta que a da sua esposa. A cobra gigante começa arrancando com sua enorme boca seus dedos, de um por um; depois as orelhas e o nariz e ele morre lentamente pagando o preço da covardia.

Escrito por anthonyolliver às 10h42
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05/07/2012


A próxima vítima

   Eduardo conheceu Lúcia em um belo dia de sol, quando passeava com alguns amigos na praça da bandeira. Olhou aquela bela morena olhando para ele e não resistiu sem conversar com ela. Ele era afamado pela sua lábia para conquistar garotas. Chegou onde Lúcia estava e conversa vai, conversa vem e minutos depois os dois já estavam se beijando.

  - Você é a única mulher que amo, Lúcia – falou Eduardo ao ser questionado por ela, por causa das suas galinhagens.

  - Será que devo acreditar? – falou ela sorrindo, depois olhou sério e continuou – mas não acho boa ideia a gente ter um relacionamento sério. A gente mal se conheceu. É melhor só ficarmos, aí se der tudo certo, a gente pensa em algo mais sério, está bem?

  - Sim. Está bem – falou ele, decepcionado. Já que você não me leva a sério... Fazer o que né?

  - Não é que não te levo a sério. Você é o maior gatinho e muito romântico, mas é muito galinha. Já sei de sua fama por aí, Eduardo Oliveira.

   Ele baixou a cabeça, desiludido, com uma cara de choro.

  - Está bem – falou ele.

   Os dois recém ficantes se despediram, depois de marcar o próximo encontro para a pizzaria ali perto da praça e Eduardo se dirigiu para onde Leo e Fábio o esperava.

  - Essa aí foi fácil – falou ele, ao aproximar-se dos dois amigos.

  - Tu és muito cara de pau, Edu – falou Leo. Podia pelo menos deixar esta pra nós.

  - Eu não sou cara de pau, meu chapa – falou ele, com um sorriso maroto. Ela que é muito bobinha e não tenho culpa né?

   Os dias se passaram e Eduardo ia namorar todas as noites Lúcia na praça. Dias depois foi apresentado aos pais dela. Não demorou muito e foi convidado para o primeiro almoço, depois as visitas passaram a ser frequentes.

  - Cara eu acho que tu estás se amarrando na moreninha – falou Fábio, no jogo de sinuca, para Eduardo.

  - Não. Acho que estou indo longe de mais. Tomara que ela não me veja com nenhuma outra. Pelo menos antes de a gente...

  - Cara você só vai usar a garota, depois jogar fora? – falou Leo.

  - Sim, mas tá difícil. Ela ainda é virgem.

   Os três amigos ficam rindo das “vantagens” contadas por Eduardo.

   - Se você quiser pode ficar com ela depois, Leo – falou Eduardo rindo.

  - Não. Obrigado. Não quero resto de ninguém.

   Os dias se passaram até que aconteceu. Depois de muita insistência de Eduardo, falando e chorando para Lúcia que ela não o amava, ela cedeu e os dois fizeram amor. Foi péssimo para ela, pois fez sem vontade e mecânico para ele que já estava acostumado a fazer aquilo apenas por prazer.

   Ela saiu chorando, correndo para casa. Trancou-se no quarto e ele foi embora já pensando em todas as cenas “engraçadas” que contaria para seus amigos.

   Lúcia descobriu algumas semanas depois que estava gravida. Procurou Eduardo, mas ele enfurecido falou que não era dele e que ela podia ir procurar o pai daquele bebê idiota que ele não queria mais saber dela.

   No dia seguinte ela foi encontrada morta na cama. Um frasco de veneno sobre a cama e um bilhete escrito “Eduardo eu te amo”.

   Os pais dela se conformaram ao saber por Eduardo que ela o tinha traído e estava gravida de outro, mas como o pai da criança não a quisera ela correu desesperada pedir para Edu assumir o filho. Ele falou que não dava, mas se soubesse que ela iria se suicidar não teria ter abandonando-a.

   Ele chorava desesperadamente e disfarçadamente no velório de Lucia, sendo consolado pelos inocentes pais dela. Ela se foi e ele continuará vivo a procura da próxima vítima.  

Escrito por anthonyolliver às 17h54
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