Contos sobrenaturais de Anthony Olliver


30/06/2012


o zumbi

   Márcia olha e não ver nada. Um barulho vindo de baixo da cama faz com que ela trama se toda como se estivesse com muito frio. Pensa em todos os monstros que podem existir debaixo de uma cama em uma noite escura.

   Olha pela janela e ver a lua que acabava de ser coberta por nuvens escuras. Um monstro de olhos esbugalhados voa e vem direto para a janela de onde ela observa, mas recupera-se do susto ao notar que era apenas uma coruja, que encandeada pela luz das lâmpadas chocara-se com a vidraça da janela.

   Ela vai para a cama assustada com aquele animal maléfico. Existem certos animais que devem ter sido criados pelo diabo – pensa. Um vulto escuro aparece de repente sobre a parede. Uma sombra enorme de um monstro que com certeza saíra da cama para devorá-la, como eles adoram fazer com crianças de 10 anos de idade.

   Seu gato Tico estava brincando no chão e a luz fraca do abajur refletia sua enorme sombra na parede. Márcia suspira aliviada. Jura nunca mais assistir filme de terror com seu primo Alexandre.

   Não consegue dormir; quando vai fechando os olhos, aparece um zumbi querendo leva-la para o além onde irá devorá-la viva juntamente com sua família zumbi.  Ela ver o zumbizinho menor arrancando seus olhos e comendo enquanto gargalha. Depois aparece seu pai com um bastão de beisebol na mão, mas o zumbi pai arranca o bastão das mãos dele e começa a arrancar seu cérebro e a comê-lo, enquanto ele ainda grita chamando por Márcia.

   Ela acorda suada, leva um susto tão grande que quase cai da cama. Pega seu gato pelo pescoço e o mata enforcado, pensando ser o zumbi que comia seus olhos.

   Márcia não consegue mais dormir. Começa a chorar ao ver Tico morto e sabe que ela mesma o assassinou. Aqueles filmes estavam fazendo com que ela ficasse doida. A partir de agora jura assistir apenas desenhos do Bob esponja e a turma da Mônica.

   Uma música triste a acorda cedo, ainda quase de madrugada. Vai até o quarto dos seus pais e os encontra mortos. Sangue derramado sobre a colcha da cama e um bastão de beisebol sujo de sangue jogado ao chão. Márcia começa a chorar olhando para sua roupa e mãos sujas do sangue dos seus próprios pais.

   No meio das suas alucinações, dormindo ou acordada viera até o quarto dos pais e os matara, pensando serem eles zumbis, mas na verdade – nota ela, o único zumbi ali era ela.

Escrito por anthonyolliver às 16h30
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27/06/2012


A Vingança

   Ana chora desesperadamente, aquilo não poderia ter acontecido com ela. Por que a vida tinha que ser tão dura assim? Ela tinha apenas 16 anos, mas sofrera mais que qualquer mulher adulta tenha sofrido.

   Rony, estudante de direito, 18 anos de idade. Filho exemplar, muito dedicado nos estudos. Nunca desgostava os pais – assim falou sua mãe. Rony era um garoto muito sonhador. Seu maior sonho era comprar um navio de luxo e levar todos os seus amigos, que eram muitos em um cruzeiro. Este era realmente um sonho ambicioso – comentou seu pai, mas para um garoto sonhador, como Rony não era um impossível.

   Três tiros foram o bastante para matar Rony. Ele foi encontrado no banheiro da faculdade, sangrando muito pela cabeça, um dos locais atingidos. Os outros dois foi um no peito esquerdo e outro na coxa direita.

   A policia foi chamada rapidamente. Em poucos segundos já estavam no local. Um dos soldados olha chocado para seu companheiro e fala, depois de ter recebido um telefonema:

  - Mais outro crime.

    O outro crime era a morte de Dalton, um garoto de 17 anos, estudante de medicina, filho de um famoso advogado do Rio de Janeiro. A família não quis se pronunciar a respeito, mas os amigos de Dalton falavam que ele era um bom amigo. Não era chegado à balada, nem a bebedeiras como a maioria dos outros jovens da sua idade.

   Em intervalos de cinco minutos os crimes iam acontecendo. Todos mortos com tiros de uma pistola 9 mm. O próximo foi Thiago, estudante de odontologia, 20 anos de idade. Thiago era muito calmo e até tímido, tinha poucos amigos. Seus pais comentaram que ele não reclamava de nada, nunca dera preocupação nenhuma a eles. Sempre saía de casa, mas chegava antes dos pais dormirem.

   O crime chocou a todos. Quando o bandido fosse encontrado, se a policia não tivesse muito cuidado, com certeza seria linchado pelos moradores, pois a revolta era grande.

   O delegado estava sentado, fazendo algumas anotações. Talvez tentando descobrir quem seria o psicopata que andava matando os jovens da classe média do Rio, quando Ana entrou pela porta. Roupa suja de sangue e rasgada, uma expressão de terror no rosto e uma pistola 9 mm na mão.

   Há um ano quando ela vinha da sua festa de aniversario de 15 anos, um dos momentos mais especiais na vida de uma mulher, é abordada por três jovens que a estupram e depois de satisfazerem seus desejos sórdidos a jogam em uma poça de lama.

   Talvez Rony e seus dois amigos Dalton e Thiago achavam que aquela menina que estupraram tivesse morrido, depois de ter sido jogada por eles ali na lama, mas eles descobriram a verdade nas suas ultimas horas de vida.

   Ninguém nunca soube a realidade dos fatos. Ana não tinha como provar, pois suas únicas testemunhas eram os três garotos matados por ela.

 

Escrito por anthonyolliver às 14h09
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Quem me inspira

   Algumas pessoas surpreenderam-se com este meu novo estilo de escrita. Principalmente pelos meus contos macabros. Eu adoro escrever romances e contos mais leves também, mas esta mudança deve se principalmente a duas criaturas que me inspiraram bastante.

   Paulo Coelho e Michael Jackson foram minhas grandes inspirações, todos os dias estão aqui em casa com sua roupagem totalmente preta, trazendo um pouco do ar sinistro que inspiram meus contos.

   Hoje mesmo Paulo Coelho estava em cima da mesa e quando me viu aparecer na cozinha, saltou de cima da mesa, de uma maneira sobrenatural. Às vezes chego a pensar que ele não é realmente um animal, mas um vampiro disfarçado de gato.

   Michael Jackson ainda é mais sinistro. Ele foi atropelado por uma moto e morto de manhã, mas a noite veio aqui como se nada tivesse acontecido. A gente ficou brincando, falando que ele ainda tem seis vidas, pois uma ele já perdeu.

Escrito por anthonyolliver às 12h01
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Maldito ônibus

 

   Deitado na cama, Leonardo lembrava-se da sua namorada que morrera há dois anos. Linda e com um sorriso sensual, saiu e falou a ele que voltaria mais tarde para irem ao cinema. Leonardo ficou vendo uma lista de cinemas e os filmes que estavam em lançamento naquela época. Eram muitos os que ele gostava, mas as mulheres são sempre muito exigentes – pensou. Tenho que escolher um filme que Joana goste, não quero entediá-la com um filme que ela ache chato.

   Ela saiu na sua moto, acelerando muito. Como ela adorava aventuras! Todos os finais de semana ia com a galera dela, fazer trilha no interior. Ele ficava morrendo de ciúmes, pois sabia como são os motoqueiros, a maioria galinhas. Mas confiava tanto em Joana e sabia que ela o amava e nunca o trocaria por uma aventurazinha qualquer com um daqueles motoqueiros.

   Leonardo vai à geladeira, toma uma coca que parece não ter sabor nenhum, tudo na vida dele tornara-se amargo depois da morte da sua amada. Ela saíra prometendo vir logo, mas aquele maldito ônibus levou a vida dela para sempre.

   Ela tenta ultrapassar um caminhão, sem notar a aproximação do ônibus que vem em sentido contrario. O ônibus pega a moto em cheio e ela cai desmaiada, porém não tinha morrido. Ela levanta-se e se senta nos asfalto. Não sente nenhuma dor, agradece por estar inteira, apesar de ter perdido quase que totalmente a moto que tanto ama.

   O susto é grande, ela gira a cabeça de repente e ver que não consegue pular para fora da pista. Outro ônibus se aproximava rapidamente do corpo de Joana sentado ali em meio ao asfalto. A única coisa que ela faz é gritar. O seu ultimo grito. Um grito de terror, de aflição, de desespero e de arrependimento por ter ficado aqueles breves segundos ali no asfalto pensando enquanto deveria ter se levantado e saído do meio do trânsito.

   Ninguém consegue escapar da morte duas vezes. Leonardo acabava de chegar ao local. Ainda ouviu o grito da sua amada que teria seu crânio em frações de segundos depois, estraçalhado pelos pneus daquele maldito ônibus.

   O grito angustiante de Joana ainda hoje ecoa na cabeça de Leonardo. Ele não consegue olhar para um ônibus quando vai passando pelas ruas sem chorar.

 

Escrito por anthonyolliver às 07h55
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26/06/2012


Os perseguidores

 

 Margareth entrou no carro e deu a partida. Dois homens de jaqueta preta a perseguia. Ela estava fazendo compras em uma loja de bolsas no centro da cidade de São Paulo, quando notou aqueles dois homens mal-encarados. Ela ainda chegou a ignorá-lo, pensando serem apenas alguns compradores e a fitavam admirando-a. Afinal Margareth era uma bela mulher.

   Com apenas 22 anos de idade, terminara jornalismo na USP e agora estava à disposição do mercado de trabalho. Seu sonho era trabalhar em um grande jornal, de preferencia como colunista. Adorava escrever. Escrevia poesias e crônicas nas horas vagas, materiais que poderiam um dia ser útil a ela e, além disso, era uma forma de se aprimorar cada vez mais na escrita.

   Ela fecha rapidamente a porta do carro, mas observa pelo retrovisor que eles também entram em outro carro, estacionado a poucos metros do dela. O que iria acontecer? Será que ela seria mais uma daquelas moças que estão estampadas nas matérias policiais dos jornais de São Paulo?

   Acelera o carro como pode, mas o carro dos seus perseguidores aproxima-se cada vez mais do dela. Com certeza seu Fiat Uno modelo 96 não resistiria àquela perseguição. O carro dos perseguidores é uma Hilux que tinha todas as possibilidades de ultrapassar ou trancar aquele carro a qualquer hora.

   Era exatamente isto que Margareth nota que o motorista da Hilux está tentando fazer. Ela acelera cada vez mais e de repente sente um impacto muito forte. Na hora que a Hilux ia fazendo a ultrapassagem, choca-se com um caminhão que vinha em sentido contrário.

   Margareth nota que seu carro estava totalmente ileso, sem nenhum arranhão. Ela olha horrorizados os corpos esfacelados dos seus dois perseguidores. Sente um alivio muito grande, mas ao mesmo tempo uma compaixão muito grande daqueles dois jovens que partiram tão jovens.

  Um deles ainda se mexia e olhava para ela com um olhar de ódio, como que a culpando por aquilo que tinha acontecido. E se ele escapasse – pensa Margareth. Será que ele não iria matá-la?

   A noite não consegue dormir. Aquelas imagens dos corpos despedaçados não saiam da sua cabeça. Olha para a janela e ver um vulto de homem que perde a cabeça e começa a gritar. Quando vai dormindo pesadelos terríveis vêm atormentá-la. Acorda no dia seguinte sem ter certeza ainda se aquilo fora apenas um sonho ou tinha sido realidade.

 

Escrito por anthonyolliver às 19h44
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O boneco de porcelana

 

   Era meia noite. O galo cantava pela terceira vez. Nina estava sem conseguir dormir. Resolve ir à cozinha e fazer um suco de maracujá para ver se o sono vem.

   Desce lentamente a escada do velho sobrado. Um arrepio atravessa todo seu corpo. Frio? Claro que não. Era uma quente noite de abril. O sobrado com suas paredes grossas e revestidas de pedra de castelo, tornava o clima mais abafado ainda.

   Dizem que quando acontece isto com a gente – pensa ela, é algum espirito que está ao nosso lado.

   Nina nunca fora medrosa. Nunca sentia medo de nada e até mangava dos colegas que tinham medo de fantasmas. Novamente aquele arrepio. Os pés de nina tremem-se de tanto medo. Ela olha para um lado e para outro, mas não ver nada. Pensa em gritar, mas seria ridículo gritar ali, àquela hora da noite. Iria apenas acordar seus pais e seu irmão que iriam gargalhar daquela terrível besteira dela.

   Ela nota que ainda está segurando o corrimão da escada e que não desceu nenhum degrau. O silencio era muito grande, interrompido de vez em quando apenas pelo cantar do galo ou pelo barulho dos grilos.

   De repente alguém a toca por trás. Com certeza seria seu irmão Bebeto. Olha sorrindo e ver uma cara desfigurada, olhos esbugalhados e sangrando, os dentes crescidos e a boca também suja de sangue, a roupa toda esfarrapada. Pensa em gritar, correr ou dar um soco naquela criatura, mas não consegue nem se mover, nem falar nada. Fica paralisada, como em um pesadelo. Queria ela que aquilo fosse apenas um pesadelo, mas não é. Jura nunca mais assistir filmes de terror, nem ler livros de vampiros e zumbis.

   Enfim ela consegue se mover. Desvia-se rapidamente do monstro e corre para o quarto, fecha a porta e joga-se na cama, cobrindo-se com dois lençóis, achando que os lençóis a livrariam de todos os monstros que poderiam existir.

   Sente algo frio tocando a sua barriga. Seu coração acelera-se e começa a tremer se toda. Grita aterrorizada, mas tem coragem de olhar e ver apenas um boneco de porcelana que seu irmão Bebeto deixara em cima da cama dela.

   Será que aquele monstro não era apenas Bebeto que se vestiu de zumbi para lhe amedrontar? A curiosidade era grande, mas o medo era maior.

   No dia seguinte, durante o café da manhã, Bebeto a olhava com cara de quem aprontou alguma coisa. Ela olhou para ele com a cara ruim e falou – nunca mais faça aquilo viu seu pivete? Ele começou a rir, mas por ver a cara ameaçadora de sua mãe prometeu que não faria mais.

   Quando anoiteceu, Nina estava sem sono novamente. Agora não existia mais medo, pois sabia que aquele monstro era apenas Bebeto que se fantasiara. Desceu rapidamente a escada e quando ia abrindo a geladeira, alguém a tocou. Ela olhou e viu Bebeto novamente disfarçado de monstro e falou – isto não tem graça Bebeto.

   Ele a agarrou e saiu levando-a para a floresta escura. Nina só pode perceber que ele não era Bebeto quando o monstro começou a devorá-la.

   No dia seguinte ao notar a falta de Nina, Bebeto jura inutilmente que se ela voltar nunca mais deixaria seu boneco de porcelana na cama dela, para assustá-la. 

 

Escrito por anthonyolliver às 08h33
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24/06/2012


Soneto do Desejo

Teus olhos buscam os meus,
Tua boca sorridente!
Me deixará certamente
achando que estou no céu!

O teu corpo bronzeado,
Feito de muita doçura
Me faz lembrar as loucuras,
Que eu fiz ao teu lado!

Dentes brancos, boca linda,
Sorriso de primavera,
Me faz passear entre as flores,

E viver os teus amores.
Mesmo sendo uma quimera,
Quero reviver ainda!

Escrito por anthonyolliver às 17h32
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Relatos de uma jovem que aprendeu muito, de maneira errada.

 

   Eu queria apenas fazer algo de útil na minha vida. Percebi que todas as coisas que fiz até hoje não me levaram a lugar nenhum, melhor dizendo, levaram-me a ser esta pessoa triste e deprimida que sou.

   As brigas constantes dos meus pais fizeram com que eu ficasse traumatizado para sempre e odiasse todos os homens do mundo e sentisse ódio também pelo casamento. Como poderia algo que as pessoas dizem ser uma união de amor entre duas pessoas tornar-se algo tão doloroso assim?

   Entrei em um curso aos 15 anos de idade, mas acabei desistindo por causa dos assédios de meus companheiros. Toda vez que olho para um rapaz e até o acho bonito, simpático ele vai pouco a pouco se transformando em um monstro que bate em mulheres indefesas assim como fazia meu pai com minha mãe.

   Mas eu agora estou decidida. A vida ainda não está totalmente perdida para mim. Irei correr atrás dos meus sonhos e tentar realiza-los, se não conseguir não me frustrarei, pois sei que a vida é um jogo que só consegue vencer os mais fortes.  Nem sempre quem vence é que tem razão, mas quem tem poder.

   A vida é injusta, mas tentarei melhorar a minha e fazê-la mais justa. Meu maior sonho não é casar e ter filhos, como sonha a maioria das mulheres. A vida cruel e traumática que tive me transformou em uma pessoa insensível. Não sei se conseguirei mudar meu jeito de ser, mas não irei tentar de uma maneira errada, pois já aprendi muitas coisas da maneira errada. Sendo forçada a aprender e não foi bom. Esse aprendizado não melhorou a minha vida, mas só me fez essa pessoa angustiada que sou.

   A partir de agora estou decidida a que rumo tomará a minha vida. Não irei fazer mais nada por que alguém ou o sistema me obriga a fazer. Casarei só quando vir que for necessário farei uma faculdade quando eu tiver certeza que é isto que quero para minha vida. 

 

Escrito por anthonyolliver às 13h13
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